
Bochechas rosadas pelo sol ofuscante,
Na mão um chapéu de tropeiro,
No cinto um canivete brilhante,
Mas no olhar algo verdadeiro.
Andar desconfiado pela simplicidade,
Nos pés um chinelo de dedo,
Não sei precisar sua idade,
Mas a felicidade estampada no peito.
Talvez quem sabe, sua vez primeira,
Com a felicidade de sua ida,
De ter conhecido a Padroeira,
Nossa Senhora de Aparecida.
Orgulho ele não aparentava,
Dinheiro muito menos ainda,
Mas nada disso importava,
Muito melhor foi sua vinda.
Foi-se embora com a esperança,
Olhei para trás, e não mais o vi,
Mas o menino me trouxe a lembrança,
Da primeira vez que estive aqui.
Muitos anos se passaram então,
Vejo mudanças a cada hora,
Tudo é novo para minha visão,
Mas o que vale é ver a Senhora.
Minha fé por vezes titubeou,
Coloquei a Senhora em algum canto,
Perdoe seu filho que errou,
Que lhe suplica com seu pranto.
Voltarei muitas vezes, sem tristeza,
Com o pensamento bem lá atrás,
Para não perder nunca a pureza,
Da criança que agora, sempre verás.

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