SONHO DE NATAL:(Uma simples homenagem a minha espôsa):A neve que a poucos dias atrás, começara a cair com maior intensidade, anunciava a chegada da data mais especial de sua vida. O vento forte que trazia a sensação térmica de uma enorme geladeira, ligada em sua maior potência, fazia-a sentir-se congelada.
Sueli via-se como um boneco de gelo vivo. Ainda não havia se acostumado com tanto frio.
Mas afinal de contas, tudo isto valia a pena, pois teria o Natal dos seus sonhos. Aquele que sempre sonhara em toda a sua vida, nos mínimos detalhes possíveis, com a pureza de sua alma e da simplicidade do sonho de uma criança.
Como era possível estar ali naquela época, perguntava-se. Mas a resposta sequer passava de relance em seu cérebro. Queria sim aproveitar da melhor maneira possível. O céu encoberto por uma grande massa de ar frio, que irmãmente dividia o espaço com a neve, fazia-a imaginar estar em visita ao céu. Tudo era fantástico e maravilhoso. Não queria perder nenhum detalhe. Da janela onde estava, limpando carinhosamente a pequena camada opaca de gelo, formada interiormente do lado de dentro do vidro, via estarrecida a beleza incomparável de toda a vila.
As pessoas oriundas do local, teimavam em andar pelas calçadas cobertas pela pequena camada de gelo, anunciando uma das belezas mais raras do mundo, que poucos como ela ainda não haviam presenciado. Emanavam a felicidade. Seu coração era a de um poeta, fazendo comparações em sua própria alma. Se antes achava que as chuvas de outono, eram as lágrimas de felicidade do próprio DEUS, a neve era para ela o sopro divino da anunciação de um frio intenso, mas aconchegante, único, intransponível, inimaginável, belo por ser único e único por ser belo. As lágrimas neste instante eram transformadas, em pedaços do próprio céu. Imaginava que era a maneira que DEUS achou, de fazer as pessoas imaginarem-se estar no paraíso, recebendo de todos os lados os fragmentos da própria vida. A beleza do branco, que aos poucos cobria as cores dos telhados, das ruas e das calçadas, fazia-a imaginar estar nas nuvens do céu, do infinito, da liberdade reprimida pelo frio, mas extensa como a própria vida.
Olhando em sua volta, percebe a luz avermelhada da lareira, que corroendo os pedaços de madeira, fazia a fina ligação entre o calor e o frio. Aos poucos a intensa luz, iluminava toda a sala de estar, trazendo o prenúncio do aconchego, da segurança, da beleza simples e pura da divina luz. Retornando sua visão para o lado exterior, percebe que a mesma, em pequenos fachos, ilumina o imenso manto branco da neve com o seu tom avermelhado, como que demonstrando que o caminho da felicidade está nas coisas simples e puras da vida. A árvore de Natal, resplandecente de inúmeras bolas, enfeites e carregadas de presentes aos seus pés, parecia viva ao receber o aconchego da luz da lareira, retribuindo a luminosidade com o vai e vem do apagar e acender dos pisca-piscas.
Ao longe ainda pode perceber as inúmeras casas, que em sintonia, soltavam pelas chaminés a fumaça da igualdade, da esperança, da alegria, da fé, da simplicidade, da humanidade e do amor. Ao alto, as mesmas juntavam-se às nuvens e a neblina do local.
No mesmo instante, voltando-se repentinamente para a sala, percebe que a casa não tinha mais a lareira, mas em seu lugar via nitidamente um móvel antigo, que sempre foi o seu sonho. Bem ao seu lado a grande árvore de Natal, que quase atingindo o teto, parecia fazer parte de todo a mobília. Seus enfeites, de grande bom gosto, mas de simplicidade incomensurável, anunciavam a vida e o amor.
Percebe que a porta rústica, com grandes vidros coloridos no alto de sua moldura, anunciava a idade daquela antiga construção.
Assusta-se e olhando novamente pelo vidro da janela, percebe que a mesma agora é grande, atingindo quase que o teto da residência. Seu olhar paira em um instante para o jardim, visualizando uma branda típica chuva de Natal, substituindo a camada de neve.
Pessoas ao longe caminhavam com o sorriso estampado no rosto, demonstrando com ar de simplicidade e humildade, a alegria e a esperança.
Um leve toque em seu ombro, a faz voltar à realidade. Seu marido, dando-lhe um beijo carinhoso em seu rosto desperta-a para a realidade.
A emoção desprende-se de seu coração e, sentindo uma das maiores energias de sua vida, começa a chorar.
Nem havia percebido a chegada dos convidados. Sua nora, seu genro, seus pais, amigos, irmãos, cunhados e cunhadas estavam presentes. Percebeu a casa cheia, cheia de vida, de felicidade, de harmonia, de esperança e de alegria.
Sente-se privilegiada, e emocionada percebe as lágrimas que surgem em sua face, caírem vagarosamente ao chão e olhando de relance no vidro da janela de sua sala, percebe a presença única de Deus, independente do local ou do Pais onde estivesse.
Sueli havia sonhado, imaginado, simplesmente viajado em seus pensamentos e tendo a confirmação de que o Natal não é somente um dia, é a experiência diária, a aplicação da verdade, da simplicidade e do uso contínuo da palavra amor. Seus sonhos eram do tamanho de sua vida e de sua esperança.

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